sexta-feira, 20 de março de 2009

Tá tudo bem

Não sei se eu posso dizer isso em voz alta, porque toda vez acontece alguma coisa que me faz ter vontade de nunca mais dizer que está tudo bem. Mas está.
Decidi que vou começar a trabalhar numa história, qualquer uma. Não preciso escrever o grande romance da língua portuguesa, mas preciso sair desse bloqueio. Preciso colocar um final em alguma coisa. Todos precisamos de um ponto final de vez em quando.

O bebê de ontem está melhorando no hospital. Não sabem se ele vai ter sequelas ainda. Quando dizem sequelas eu penso se seria um dano cerebral ou alguma deformidade no corpo. Eu tenho medo de pensar. Na verdade, só o que eu fiz foi pensar.
Eu não sabia o que fazer. Eu precisava ajudar. Não consegui fazer o que os outros fizeram: ler, reclamar, revoltar e seguir em frente. Não deu. Ninguém deveria conseguir. E eu senti como se o menino devesse estar comigo, para que eu cuidasse dele e desse tudo o que ele precisasse. Não importava o custo, o sacrifício, meu filho e eu o receberíamos de braços abertos e seriamos uma família unida, nos apoiando em nossos problemas, sendo fortes. Eu só queria saber que o menino estaria bem. Eu nem sei seu nome, nunca vi seu rosto, mas eu o amo do fundo do meu coração. Eu chorei como se a dor dele fosse minha duas vezes. Eu odiei o monstro agressor como se a criança tivesse meu sangue. Será que eu tenho algum problema? Será que é comum amar um estranho assim? Querer cuidar de um filho que não é meu.

Não sei o que posso fazer pela criança, mas eu vou fazer alguma coisa. Vou fazer uma campanha na faculdade. Vou fazer o que for preciso para ter certeza de que o nenê ficará tão bem quanto o meu anjinho que agora está dormindo. É mais forte do que eu. Não posso desistir, nem resistir. Eu sou humana e, como tal, sempre cometo o pecado de amar demais.

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