terça-feira, 3 de março de 2009

Quem quer ser um adulto?

Enquanto eu andava pelo vale da sombra da morte, digo, pela avenida até o ponto de ônibus, pensava na coisa das pessoas que estavam praticando seu cooper (alguém ainda diz cooper?) e no tipo de vida boa que isso me parecia. Não que eu ache que correr praticamente de madrugada seja uma tarefa fácil, mas é um luxo ao qual poucos podem se dar.

Quem pega ônibus comigo, as 5h45, definitivamente não acordou mais cedo para correr. Eles certamente foram dormir tarde, esperando os filhos chegarem da escola, lavando roupa ou alguma coisa assim.

Por isso eu pensava no quanto eu odiava ser uma adulta. Ficar velha.

Não é só a coisa da idade, isso é o de menos. É sim a coisa de não poder sair quando eu quero, de ter que chegar no horário, de ter que pagar contas pelo resto da minha vida. Essa coisa de ser adulto pega a gente de tal jeito, que ne um estilo de vida destrutivo podemos levar para preservar nossos queridos do sofrimento. É. Eu tenho um filho que depende de mim.

Conheço gente mais velha que eu e que vive a eterna pós-adolescência. Eles gostam. Como poderiam não gostar? A liberdade da irresponsabilidade não tem preço e não pode ser imitada. É como se arremessar de um penhasco para um mergulho. O vento nos cabelos, o tempo passando de forma diferente, nada te prendendo, nenhuma razão para olhar para tras. É só a queda, o objetivo. Você sozinho e ninguém mais.

Eu atualmente divido a minha vida com muita gente. Eu não sou uma adulta comple, pois eu ainda dependo dos meus pais e de outras pessoas. Mas eu realmente espero cruzar a linha logo. Uma vez que já não tenho como deixar de ser adulta, eu quero ser dona do meu nariz o mais rápido possível.

E quando eu for dona do meu nariz, quero divir minha vida com alguém. E que esse alguém me veja como igual. Numa interdependência saudável.

A coisa com ser adulto não é sobre as barreiras que nós são impostas. Sabe? O que vestir, como agir, o que comer. A grande furada de ser adulto é a coisa das barreiras que nós impomos a nós mesmos. Sabe?
Ser consciênte de que não deve beber ou dirigir, de que você precisa do emprego pra sobreviver, de que só porque você pode parcelar não significa que alguma coisa é mais barata.

A coisa que me faz resistir tanto a ser adulta é a tal da respostabilidade. Mas uma vez que ela te pega, não tem jeito.

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