Abri os olhos lentamente e a luz me cegou. Completamente desfocado, notei um saco de soro flutuando sobre a minha cabeça e ouvi vozes distante. Os olhos, pesados, se fecharam novamente.
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Ouvi as vozes mais próxima e com algum esforço consegui entender algumas coisas. Duas mulheres discutiam o almoço. Quando ouvi o timbre masculino, meu coração disparou e senti uma dor excruciante na minha cabeça. Um gemido baixo. Meu gemido. Quatro cabeças flutuaram sobre a minha. De repente, me senti adormecendo das pontas dos dedos dos pés até o topo da minha cabeça. O mundo se calou novamente.
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Senti minha boca seca e uma vontade de falar, mas não consegui. Aspirei com força, como se não fizesse isso há anos. Tossi com a mesma força e senti gosto de sangue em minha garganta.
Um enfermeira imediatamente apareceu ao meu lado perguntando como eu me sentia e me chamando de querida. "Onde estou?" foi o que eu consegui. Num hospital. Isso me parecia óbvio, mas não achei de bom tom zombar da mulher que monitorava meus batimentos. "O que aconteceu?"
Ela suspirou e disse que minha mãe estava na cafeteria, já tinha saído há uns bons 15 minutos e deveria voltar logo. Ela me explicaria tudo. Não consegui buscar na memória a imagem do rosto de minha mãe. Ou imagem alguma dela. Estranho. "Eu bati a cabeça?" Ela quis saber se eu estava experimentando alguma forma de confusão e disse que talvez isso fosse normal. O médico chegaria logo e faria os exames. Se eu não sabia como tinha chegado ali. "Não". E antes do acidente? "Não" E no dia anterior? "Nada" Querida, você sabe o seu nome? Claro que eu sabia meu nome! Que pergunta imbecil... mas não parecia inteligente agredir a mulher que administrava minha medicação. Branco. Tudo parecia um enorme e acolchoado quarto branco. Eu não me lembrava do meu nome. Não me lembrava do meu nome, de onde tinha vindo. Olhei para minhas mãos, em desespero. Não as reconheci. Minha respiração se tornou ofegante. Eu não me lembrava do rosto de minha mãe. Não sabia seu nome. passei a mão em minha cabeça e senti os meus cabelos. Não sabia que eram castanhos. Não sabia de nada. Toquei meu rosto, inconsolável, e me dei conta de que não conhecia meu próprio rosto. Desejei acordar novamente.
Como estava muito agitada, e enfermeira misericordiosamente aplicou a dose cavalar de remédio e eu adormeci em instantes. Meu rosto sem rosto foi a última coisa na frente dos meus olhos antes da escuridão e a dormência dominarem meu corpo mais uma vez.
sábado, 4 de abril de 2009
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